Quando reencontrei você

27 março 2013

Você tinha a mão colocada de leve na cintura dela. Essa foi a única coisa que eu reconheci em você: o jeito que a segurava era o mesmo jeito que você me segurou por todo o tempo em que esteve aqui. Seu cabelo estava diferente. Seu sorriso, suas roupas e seu olhar. Se eu esbarrasse com você na rua, distraída que sou, talvez eu não te reconhecesse. Talvez, eu tenha parado de te reconhecer bem antes de você ter ido embora.

No meu mundo ideal, eu não insistiria em um relacionamento em que só eu ainda estivesse tentando. Orgulhosa, eu arrumaria minhas coisas, pegaria minhas roupas e recolheria meus cacos. Iria reconstruir o coração em qualquer outro lugar. Mas aqui não é meu mundo ideal. E eu, ma-so-quis-ta, fiquei aqui, quis assistir a você fugindo de mim pouco a pouco. Quis sofrer vendo você deixando de me amar...


Eu sabia. Eu fingi que não, mas eu sabia. Eu me preparava, dia após dia, para o momento em que você fosse entrar pela porta e dizer que tinha acabado. Eu deixei que fosse você a terminar, porque aqui dentro eu não queria admitir que nós dois acabaríamos para sempre.

Mas eu via como você a olhava. E eu sabia por que era exatamente a maneira com a qual você costumava me olhar. Quando ainda me amava. Era aquele sorriso que você abria. O mesmo sorriso que você dava quando ela passava por nós dois. E você nem disfarçava. Eu sorria também, querendo morrer um pouquinho por dentro. Eu já tinha te perdido – eu só tentava enganar a mim mesma dizendo que não.

Então, um dia, você finalmente foi. Finalmente conseguiu a coragem e arrumou suas malas. Eu fiquei aqui, reconstruindo o coração a passos lentos, achando que eu nunca mais iria amar de novo. Morrendo de medo do futuro, do que a vida me reservava. Querendo você e seu abraço pra curar as dores que você mesmo deixou. Mas passou. A vida tratou de te levar, realmente, de mim. Por inteiro.

Aí eu te reencontrei. Esbarrei com você em um daqueles lugares que nós dois sempre íamos. Você tinha a mão colocada na cintura dela. O rosto, o cabelo, o sorriso e o jeito totalmente diferentes de quem eu tanto senti falta. E não doeu. Ver você com ela não me matou. Nem quis chorar, nem me incomodou. Eu te vi e só respirei fundo. Porque, no fundo, eu sabia, eu sempre soube: uma hora, esse nosso amor torto ia acabar chegando ao final.

Agora, posso dizer que, finalmente, acabou.



Texto escrito pela Karine Rosa, uma jornalista em formação que fala sozinha há 20 anos e tem extremo pavor que a chamem de KarinA ("E" no final, não se esqueçam!). Acredita na força das palavras, em sentimentos sinceros e escreve no Blog dela (acessem!). Vocês encontram a Karine também no Twitter.


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3 comentários:

  1. ótimo , como sempre ...


    sempre se encaixando de alguma forma com a situação que estou vivendo !

    Parabéns otimo texto !!

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  2. Tava aqui lendo os textos e esse se encaixou quase que perfeitmanete com o meu dia.. Foi impossível conter as lágrimas, sabe quando tu não tem o que falar e vem algo e te define??? Foi exatamente assim com esse texto!! To sem ninguém pra conversar, fui obrigada a postar algo aqui pra de certa forma desabafar..

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