Um dia

14 fevereiro 2013

Meu telefone ainda é o mesmo, já te disseram isso? Ainda moro no mesmo apartamento e ouço músicas da época em que você estava aqui. Nunca fui de presente, sempre de passado e futuro. Um pezinho em você e o outro lá na frente, na estrada que leva adiante. É que eu penso demais, sabe. Claro que sabe. E entende, eu sei que entende. Tenho um silêncio que nada diz e tudo sente, um coração que tudo grita e nada fala e uma mente que tudo pensa e nada faz. Não é por maldade, nem nunca foi. Não vou dizer que é medo, mesmo sabendo que há uma grande possibilidade de ser. Apenas não dá. Eu abro a boca e nada sai. Dou um passo e paro logo em seguida. Por que é tão difícil conviver com o orgulho? E entre decidir se me jogo de cabeça ou me recolho em um quarto escuro, jogo toda a culpa no destino. Isso mesmo, destino, seu puto!


Não sei quando vou abandonar essa minha mania de jogar tudo pra cima da sorte. Se quebrei a unha, foi minha culpa por ter passado debaixo daquela escada. Meu relacionamento vai mal? Culpa daquele espelho que deixei cair, e agora, preciso aprender a conviver com meus sete anos de azar. Perdi o amor da minha vida? Sabia que ia dar nisso, meu horóscopo não estava lá essas coisas hoje. Nunca assumo a culpa por nada por pura covardia. Não cabe a mim carregar o peso das minhas decisões porque a noite elas me roubam o sono. Mas as coisas que eu deixei de te dizer também me fazem dormir cada vez mais mal. O que eu quero te dizer é que ainda sou eu. Mesmo com todas as mudanças e anos e as novas pessoas que apareceram. Ainda sou eu. E sei que não importa que meu estilo musical, pessoal e nem que tudo o que fazia parte de mim no passado ainda faça parte do meu presente. Sei que posso ser qualquer coisa que eu quiser, quando eu quiser.

Do mesmo modo que eu sei que meu telefone velho ainda vai tocar, um dia vai. Você vai me dizer tudo aquilo que não disse aquela noite e ver como é bom não ter nó nenhum apertando a garganta. E espero que seja logo, pois estou sufocando. Por mais que diga o contrário, eu não sou mais a mesma, nem você. Mas sei que vai chegar o dia em que reencontraremos nosso passado e encontraremos a nós mesmos. A vida é engraçada, né? Faz a gente se desencontrar de algumas pessoas pra que nos encontremos dentro de nós mesmos. Eu me encontrei e você se perdeu. Mas nada apaga da minha mente o dia que não chegou, mas que sei que virá. E vai me trazer de volta você. Ou te levar pra longe de uma vez, que seja. Eu só quero - e preciso, desesperadamente - perder esses pensamentos soltos em minha cabeça. Então, não espere que seja tarde, nem que outra pessoa tome seu lugar. Só deixe nosso dia chegar e nos mostrar se vamos fazer dupla em nosso final feliz ou seguir carreira solo. Porque essa angústia de não saber nada e imaginar tudo, meu querido, me mata.

2 comentários:

  1. Amei... ah esse orgulho que quase nos mata.

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  2. "E entre decidir se me jogo de cabeça ou me recolho em um quarto escuro, jogo toda a culpa no destino. Isso mesmo, destino, seu puto!" Me achei nessa frase sabe eu culpo tanto o destino que acho que um dia ela vai vim atras de mim e me bater hahahaha

    Parabéns pelo texto, descreveu tão bem a ansiedade que o amor nos deixa quando alguém resolve ir embora.

    Beijos todo sucesso do mundo

    http://www.fragmentos-intensos.com/

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