Sobre ir embora, fragilidade e Chico Buarque

20 janeiro 2013

Chega, Chico! Fugi do Vinícius com todo seu amor em cada sílaba de suas composições, quebrei os CDs do Caetano depois dele me lembrar o quanto o outro me deixa solta e agora o que você me traz é sofrimento.


“Quando você me quiser rever, já vai me encontrar refeita, pode crer. Olhos nos olhos quero ver o que você faz ao sentir que sem você eu passo bem demais. (...) Olhos nos olhos quero ver o que você diz. Quero ver como suporta me ver tão feliz.”


Eu queria fazer das suas as minhas palavras, Chico. Mas minha felicidade tem sido tão falsa e medíocre que sinto me despedaçar toda em cada sorriso forçado. E sua canção me coloca de frente com meu final. Ou melhor, meus finais. Tão e somente trágicos finais. Esses mesmos, ensaiados em minha cabeça. Olhando minha situação nos olhos, eu enxergo quão patético foi eu sempre ir embora para não presenciar meu próprio fim. Viver de cabeça para baixo me deixa um pouco tonta e me leva direto pra porta de alguém. E nessa de ir embora sem, de fato, me despedir, tem me arrastado pra recomeços que na verdade só me fazem perder tempo novamente. Eu quero ir adiante, Chico, eu quero enfrentar esses fantasmas e ir em frente.

Preciso aprender a dizer adeus de verdade. Não aquele dito e substituído por um “Quanto tempo! Como tem passado?” depois de uma noite de carência ou alguns drinks. Preciso ser forte, porque ser de pedra o tempo todo cansa. Quero ter a coragem de me entregar realmente, completamente, inteiramente e não me esconder em minha caverna interna com medo de que me expor só me traga cicatrizes. Hoje eu sei que me machucar um pouco é a melhor maneira de encontrar a felicidade em seguida. E que se for pra eu dizer adeus, que seja de coração. Que seja sincero e não dê lugar a futuros arrependimentos, esse mesmo em que eu me encontro. Não me despedirei mais por medo de fazer alguém infeliz por não me julgar suficientemente capaz de proporcionar felicidade. A partir de hoje não perco ou me despeço, que seja, de pessoas especiais pelo medo de perder. Porque o problema de pensar que somos insubstituíveis é que tem sempre alguém pra nos provar o contrário. E meu lugar na vida de alguém, eu não deixo mais ninguém ocupar.

2 comentários:

  1. Oi,
    Achei essa postagem enquanto procurava posts relacionados ao Chico.
    Muito bacana!
    Abraços,
    Zuza Zapata
    www.zuzazapata.com.br

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  2. Oi, Zuza!
    Fico feliz que tenha gostado.
    Beijão! :)

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